sábado, maio 05, 2012
Requiem à União
que cresceu bela e segura enquanto lhe deram a mão.
Porém, seu fim revelar-se-ia trágico,
violentada e espancada num processo autofágico.
União, quem te desejou mal e porquê?
Quem terá sido o Paco Bandeira da tua jornada final?
Hoje é 1º de Maio e tu és um iogurte num Doce Pingo brutal,
um elefante numa caçada do Rei de Espanha,
um comentário acre do João Querido Manha.
Agora que o Sol se escondeu cobarde atrás das carregadas nuvens da memória,
quem outrora te viu altiva e cheia de esperança ficou para contar a história.
Pena é que não tenha sido tanta gente quanto isso,
no estádio só havia 2 gajos, uma esfregona e um macaco com bigode postiço.
Mas é para recordar os dias de glória que aqui estamos,
firmes e hirtos como o Reinaldo na pequena área.
E a sua falta de mobilidade? Que bela recordação!
Pelo menos tinhas o Dinda para te safar com o pé-canhão.
Ecoava seco o disparo do projéctil poderoso,
o castelo da Cidade do Lis olhava orgulhoso,
enquanto Fua sacava rolhas nos extremos do relvado,
e o Mário Artur tinha um olho para cada lado.
Sim Mário, não eras bonito!
...mas a União ainda tinha algum guito!
Pelo menos o suficiente para construir uma sociedade das Nações,
com Argentinos, Brazucas, Palancas e até Alemões.
Olhava-se em frente para o IV Reich,
ao leme o Führer Michael Kimmel.
O boche que jogou no Bidoeirense um dia,
e até escreveu artigos sobre homofobia!
Mas Leiria não era cidade para maricas,
que o diga Tahar, o Khalej.
Bravo guerreiro Mouro de barbaridade desnecessária,
que tingia relvados de escarlate de grande-a-grande área!
Escarlate era também a cor do teu cartão preferido,
Tahar de cimitarra na mão apanhado desprevenido.
Se tu espalhavas terror pelo nosso Portugal,
com Gervino todos os dias eram Carnaval.
Ar de mosqueteiro, galã infalível sem eira nem beira.
Engravidaste a União com o teu charme de escudeiro.
Acabaste a pontapear couro na U.D.Caranguejeira,
mas eras leiriense de corpo inteiro.
Porém, União...de corpo e alma só tinhas um filho,
nascido do teu ventre, líder aguerrido.
Bilro, grande capitão! Quantas saudades deixas!
Pelo Lis conduziste a Nau com impecáveis madeixas.
Reza a lenda por aqui e ali,
que em noites de nevoeiro e completo silêncio,
ainda se escuta o roufenho Vítor Manuel a clamar por ti:
"Ó Bilro! Bilro! Vira o jogo, caralho!"
..."dá cá a bola, que eu não falho."
Resposta pronta de Bertolazzi,
rápido no gatilho!
nem por isso certeiro no remate,
mas tinha uma namorada boa como o milho.
Quem gostava de milho era o Bambo,
que se comportava como uma galinha.
corria de um lado para o outro,
mas não fazia nada que jeito tinha.
Quem tinha jeito era o Poejo,
pelo menos era o que se dizia.
não ficou na memória pelo futebol jogado,
mas sim porque gajos chamados "Estalagem" não há em todo o lado.
Havia ainda a cremalheira do Hugo,
eterna esperança do nosso futebol,
e o estóico keeper Miroslav Zidnjak,
que tantas vezes nos fez soltar um "LOL".
Mas se falamos de esperanças cristalizadas no tempo,
temos no veloz Porfírio um grande exemplo.
Em '96 defendeste a honra das Quinas no Europeu.
e sempre foste o leiriense que mais prometeu.
De promessas porém,
está o inferno cheio, se bem me lembro.
Tamanho foi o desperdício de talento,
que andaste pelo 1º de Dezembro.
Quem nasceu em Dezembro foi o bravo Ayew,
grande amigo do Maxwell Konadu,
a quem convenceu a cortar as rastas,
para melhor agradar a Jesú.
Agora Kwame falha golos na baliza do Senhor,
e corre desenfreadamente para a linha do Juízo Final,
tudo porque um dia terá decepado as icónicas rastas,
para afastar os espíritos do Mal.
Quem não queria nada com Deus era Quinzinho,
segunda reencarnação de Bambo.
Trôpego e pouco eficaz,
muitos anos a virar frango.
De frangos percebia o Ádamo.
Ádamo ou então Adamô, visto que o homem era francês.
Personagem secundária, é verdade,
mas sempre o achei cómico, façam-me a vontade.
Mais tarde chegaram Duah e Paulo Vida,
que fizeram disparar o coração da União querida.
Dois impecáveis e codiciosos cruzados,
goleadores de créditos firmados.
Leiria era já uma colónia ganesa.
Duah, Edusei, Ahinful e quejandos,
eram entrada, prato principal e sobremesa!
Mas o melhor fica sempre para o fim,
e depois de uma opípara refeição,
nada melhor que um digestivo para nos aquecer o coração:
Nii Lamptey, estrela internacional!
O Pelé ganês, o fenómeno que sairia no jornal!
Luzes, câmara, acção!
...parece que a película queimou, mas fica a intenção.
Petar Krpan, Nosferatu dos balcãs! Goleador de papel!
Em 72 jogos pela União, por 10 vezes molhaste o pincel.
Apesar de precisares de 650 minutos para marcar um golo,
és recordado com nostalgia por pareceres um ovo cozido com pés de tijolo.
Ano da Graça de 2001, arriva Baltemar Brito e seu treinador principal,
e com eles nasce no esqueleto leiriense uma espinha dorsal.
Futuro Campeão Nacional, Europeu e Mundial!
Hossanas a Derlei, Nuno Valente, Maciel e ao resto do pessoal!
Porém tudo o que é bom acaba depressa,
Baltemar cedo parte para Norte, levando consigo seu treinador principal, homessa...
Doce recompensa, União! Deixaram-nos o Aguiar!
Arma de destruição maciça, com ele podemos conquistar o planeta.
Tíbia, perónio, fémur? Não há barreiras que detenham o tanque!
No 11 adversário não há quem não manque!
União, moça orgulhosa, de queixo levantado!
Ao som do violão de Hélton dança Douala,
Edson chuta de longe e Hugo Almeida cabeceia ao lado,
João Paulo distribui porrada, pois Aguiar já não mora cá.
Otacílio quer a Taça dos Nomes Invulgares,
mas nem lhe chega a pôr a mão - esta é de Torrão.
Geufer berra ao longe: "Pô, também quero ser campeão!"
Fábio Felício sorri de soslaio e cospe para o chão.
Não desmoralizes, União! Ele dribla em círculos, tropeça sobre a bola...
Eis que chega Ivanildo, o esquerdino genial!
...que não vê a desmarcação de Slusarski,
mas tem um ar simpático, ninguém lhe leva a mal.
Lembram-se do Gana e seus boys?
Pois é a vez do Burkina Faso trazer os seus toys.
Ele é Tall, é Mamadou,
veio igualmente um Saïdou.
O Saïdou quantas sílabas tinha?
Eu conto seis, e sei ao que vinha.
Seu nome era Panandétiguiri e sete consoantes ao vento soprava.
Vogais eram sete também, número perfeito jurava.
Por esta altura era de magia que viviam os 4 adeptos da União,
Pois lá na frente pontificavam Cássio e Carlão,
com o Cowboy zambiano Rainford Kalaba,
apontando com mestria de pistola na mão.
Reserva-se um verso para um sucedâneo,
material contrafeito de feira alguma,
Zahovaiko queria ser Zlatko mas nem sequer era conterrâneo,
tal como Pluma nunca será Puma.
Keita, esse, foge com 6,000 batatas numa mala,
qual concurso do António Sala,
ah,espera! Afinal já não gamou nada,
a personagem nem sequer tinha vindo equipada!
Sem bolsos nas calças,
sem carteira no bolso que afinal não tinha.
Mas então em que é que ficamos?
Só sei que em '99 jogou cá o Pinha.
Batendo recordes jogando só com oito,
levando quatro secos do Feirense sem molhar o biscoito,
Com menos três jogadores em campo também se faz magia,
mais vale só, do que com má companhia.
Assim se fecha o livro desta estimada donzela,
União, foste açúcar em pó e foste canela.
Já não há graveto para sobremesa,
Até sempre, que a SAD está tesa.
sexta-feira, agosto 20, 2010
Ludemar... quem?
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segunda-feira, março 08, 2010
O Pequeno Quim
A rede balançava, ele dançava, o público jubilava, e Deus – algures – exultava.
Vivaça era a vida do Pequeno Quim, grande no porte, insurrecto petiz de alma, sangue ardente no esculpido corpo, seu instrumento de trabalho. O Pequeno Quim era assim: exuberante como uma multicolorida borboleta, crisálida de eleição, e potente como um furioso touro, acicatado pelo vermelho-chama do fogo que lhe alimentava o Ser: o golo.
Incompreendido pelo estimado mentor (“one touch, two touch, quimmzin-ho goal”), o flamejante aríete do continente negro procurava refúgio nas bancadas, onde era amado como nenhum outro, em pleno auge feudal de D.Mário Jardel, o Primeiro. O Mantorras antes do Mantorras, este sim, a alegria do Povo, com dois joelhos e tudo – pois sem eles não conseguiria bailar Kuduro. Endiabrado, o Pequeno Quim.
Futebol-esquadro? Coisa para operários com bota quadrada, mais Alfaias que Nandos, menos Constantinos que Caos. Geometria sempre foi coisa para maricas. Futebol é Paixão, Calcio não é Catenaccio e Prof. Neca não é senão um calvo Darth Vader, enviado da Estrela da Morte para nos sugar o prazer da sumarenta clementina do beautiful game. O Pequeno Quim não nascera para traçar rectas a esquadro – o Pequeno Quim era o anti-Custódio, antes gingar que quebrar, nascera para emocionar, negra pantera de tardes gloriosas com o azul Dragão ao peito.
Porém, sempre apaixonado pela polémica, o Bigode de António Oliveira decidiu não ouvir os apelos da bancada. A central pedia Quim, a superior pedia Quim, até o tribunal por Quim clamava. Mas a única emoção a Quim ofertada, foi a da despedida. Uma dura, amarga despedida.
Já que o Pequeno Quim se assemelhava a uma locomotiva desgovernada nos trilhos do tapete verde, lá decidiu fazer da fama proveito e transformar a sua carreira numa espécie de percurso de Intercidades que pára em tudo o que é apeadeiro sem pedir licença.
Assim, fica a recordação da trajectória CP-style, com atrasos, croquetes a bordo, crianças a chorar, e claro – golos a brotar do ar condicionado desta carruagem em alta rotação: Leiria, Vila do Conde, Faro, Vila das Aves, Alverca e Estoril. All aboard, the Quim Train.
Sob a asa de um génio indomável, a locomotiva atravessou Oceanos, atropelando Peixes e engolindo Figos, chegando assim à China, continente sem Brunos ou Coentrões de cabelo pejado de parafina.
Qiao Ji Ma, nova identidade do petiz vagão ferroviário, corcel indomável no continente amarelo de carroça puxada a arroz. “What’s in a name? A rose by any other name would smell as sweet”, já dizia Mark Pembridge. Qiao Ji Ma concordava, acenando afirmativamente com o seu potente crânio. O título pode ser outro, mas o texto conhecia semelhante epílogo: golo, golo e mais golo. Ou Kwame Ayew – é assim que se diz golo em chinês…ou pelo menos foi o que o Duah nos contou.
De qualquer forma, após menear as ancas pelas bandeirolas de canto um pouco por toda a Ásia, Qiao Ji Mu decidiu regressar ao País que o viu nascer – o País que deu nome a Zé D’Angola, curiosamente um orgulhoso cabo-verdiano. Ou se calhar não será assim tão orgulhoso, mas cabo-verdiano é de certeza. E o Pequeno Quim - esse - é de novo Pequeno Quim: irreverente, poderoso, calvo, e apostado em tratar a bandeirola de canto como Axl Rose tratava um microfone, pois com Pequeno Quim, o rock n roll nunca morrerá.
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quinta-feira, julho 09, 2009
Mosaico Cromático
É certo que lamentamos a partida de algumas figuras que deram água pela barba à nossa SAD, mas a vida de um cromo é mesmo assim: uma bola a escapulir pela linha final, um atraso na chegada ao treino e, tumba!, lá se vai o cromo.
Felizmente, 2009-10 promete ser uma época tão profícua como as anteriores, deixando a nossa SAD imune à crise que dizem que grassa por aí (Cristiano Ronaldo que o diga).
Só para terem uma ideia, produzimos uma pequena peça artística apenas com algumas caras recém-chegadas à nossa I Liga, excluindo os três da vida airada (sabendo que o Sporting ainda está envolvido nas obras de reconstrução da Academia e o Benfica está a descobrir contratações para o FC Porto remodelar o plantel).
Uma plêiade de cromos bem intencionados e bem fotogénicos, mas que, infelizmente e como dita a Mãe Natureza, terá muitas dificuldades em resistir aos primeiros meses de vida na sempre dura I Liga deste nosso rectângulo. O espaço que medeia entre Julho e Setembro será vital para determinar quais os cromos desta fornada que terão algum sucesso e aqueles que… bem, apenas conseguirão que a nossa SAD se lembrasse deles. Também não nos podemos esquecer que, por vezes, estas novas crias cromáticas são acossadas pelos cromos já residentes, numa dura competição pela sobrevivência ao jeito de um programa da National Geographic aplicado à cromice dos balneários lusitanos.
Analisemos os nomes destes nados-vivos para a principal selva do futebol português de 2009-10:
NAVAL: Quatro crias para preencher a defesa, o meio-campo e o ataque: Lupedo, N’Kake, Aboubacar Tandia e o regresso de um dos nomes mais queridos dos caçadores furtivos de cromos da nossa praça: Ouattara. Um nome sempre em alta nas bolsas cromáticas e que promete não deixar os seus créditos por mãos alheias.
LEIXÕES: Também um ataque à cromice em toda à linha, com Cauê, Patrão, Faioli e o pouco simpático Trombetta.
BELENENSES: Mais modesto nas contratações de campo para compensar o afinco técnico-jurídico com que trabalha na secretaria. Barge e Yontcha dão, porém, um ar de sua graça.
GUIMARÃES: Um norte-americano, Kamani Hill, e um defesa, Lazzanetti, são as principais crias cromáticas do defeso vimaranense.
NACIONAL: Depois da alta taxa de natalidade cromática dos últimos anos, o Engenheiro Alves fez as contas à vida e concluiu que a segurança social nacionalista não podia aguentar aquele ritmo descompassado. Daí a implementação de uma política cromo-contraceptiva à qual escaparam Nejc Pecnik e Elisson.
MARÍTIMO: Nada a assinalar, a não ser repetir um nome que o site zerozero já indicava como parte do plantel de 2008-09 mas que, sinceramente, não nos cansamos de repetir: Takahito Soma, o japonês dos campeonatos nacionais. Veremos se fará hara-kiri ao primeiro copo de saké ou se será o kamikaze dos Barreiros.
PAÇOS DE FERREIRA: Três singelos nomes que não ultrapassam as quinze letras todos juntos: Rondon, Ciel e Bamba (não confundir com Bambo nem com a mulher dele; ele é Bamba como a corda).
SETÚBAL: Os ares de recessão do Sado não impedem que se tragam nomes do quilate de Djikiné e Ladji Keita.
ACADÉMICA: O mais sintético dos reforços equipa de negro: Bru. Espera-se que gere um grande Bru(á). Nem que seja pelo seu penteado Milli Vanilli.
RIO AVE: Tempos de contenção junto às Caxinas. Mas ainda há um Wesllem para apreciar.
BRAGA: Saudosos os tempos do Ganga, Johnny Rodlund e Kim… Talvez Joabe desperte alguma atenção cromíflua.
LEIRIA: Alguma expectativa em torno do guardião Andjelko Djuricic (o novo Miroslav Zidnjak?) e de Sow (o novo Salam Sow?)
OLHANENSE: Autêntica mãe de aluguer cromática desta competição, abraçando todos os filhos que o FC Porto deserda. Desta creche imensa, destaca-se o irascível Zequinha, agora com a oportunidade de ouro para agredir algum interveniente do jogo em prime time. Para além dele, há o Gomis (com “i”).
Resta-nos desejar a todos eles boa sorte… e em Janeiro cá estaremos para analisar uma nova prole.
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segunda-feira, junho 08, 2009
Cabelo À Homem (De Nkongsambaau)

E tu também não me pareceste muito satisfeito com o tratamento estético: mal fugiste da vista do feudal Bartolomeu, saltaste a fronteira e implantaste um tapete persa de qualidade duvidosa comprado ao tio-avô do Quaresma, logo ali a sangue frio na traseira da sua Ford Transit.
Com resultados avassaladores, diga-se de passagem:

Esta nova coloração também faz parte de um tratamento anti-lêndeas revolucionário. Um tratamento revolucionário para as próprias lêndeas, bem entendido, que têm na tua cabeça o seu resort de luxo com direito a spa e tudo. Ou seja, és uma espécie de Quitoso ao contrário.
Tu és mais que uma simples simbiose entre homo sapiens e pêlo de furão. Consigo distinguir em ti ligeiras fragrâncias de Abel Xavier e noto que piscas o olho ao Wesley Snipes. Se eu tivesse que arranjar um termo de comparação, diria que és um troll ao qual faltou correr o 2º CD de instalação do software. Mas como não tenho, coloco antes um termo às comparações.
Mesmo com essa performance capilar que pede meças a qualquer um dos vários Miguéis Velosos que andam por aí a destilar aversão aos pronomes, continuo a dizer: “tens mesmo cara de quem nasceu em Nkongsambaau”.
É um grande Gal.
sábado, abril 25, 2009
Informações Úteis
Um bom café é aquele café deliciosamente temperado com um generoso Torrão de açúcar. Sem um Torrão de açúcar o café não é simplesmente a mesma coisa. E se o Torrão em causa for patrocinado pelos Cafés Delta, sabemos que estamos perante um Torrão de elevada qualidade, capaz de emprestar ao seu café o travo que o fará sentir como um George Clooney dentro de uma loja Nespresso cheia de mulheres.
Siga este nosso conselho todas as manhãs e verá como o seu rendimento diário incrementará a olhos vistos.
E por falar em vistas, o Boavista sabe o que nós queremos dizer com isto do “rendimento incrementado”. Ou melhor, sabia. Agora é mais Mokambo em copo de plástico e sem açúcar, que o orçamento não dá para mais.
A Árvore das Patacas é uma frondosa árvore apetecível pela qualidade dos seus frutos, mas cautela: saiba distinguir as Patacas boas daquelas que são indigestas.
As Patacas podres adquirem um tom acastanhado e enrugado, acumulando-se no chão, junto à base do tronco. Se ingeridas, provocam diarreias, enxaquecas, cruzamentos desmedidos ao segundo poste e lapsos de memória que amiúde previnem de marcar os extremos-esquerdos como deve ser.
Evite estas maleitas e recolha as Patacas boas e sorridentes directamente da árvore.
Se sair à noite, lembre-se das consequências da ingestão de álcool em excesso. As costumeiras figuras tristes que lhe são inerentes são sobejamente conhecidas, mas é possível que um indivíduo perca completamente a sua face e, pior que isso, transfigure-a completamente. Ou seja, o álcool é capaz de transformar um defesa-esquerdo que vai jogando no Sporting num semi-anónimo defesa-central camaronês que um dia hat-trickou contra o Sporting.
Muita moderação, portanto, se quiser evitar surpresas.
Portugal é um país inusitado no qual localidades inteiras podem migrar durante temporadas. Verifique se o seu mapa se encontra devidamente actualizado antes de se fazer à estrada.
Por exemplo, é possível que um Mangualde, que todos pensávamos estar ali perto de Viseu, se tenha mudado de armas e bagagens para Paços de Ferreira, enquanto que o Alhandra, que todos julgávamos emparedado entre a Cimpor e o rio Tejo, poderá ser visto um pouco mais a norte, em Leiria.
Quer dizer, se é que os dezasseis ou dezassete indivíduos que vêem os jogos em Leiria alguma vez notaram pela presença dele. O mais provável é que tivessem aproveitado toda aquela tranquilidade para curar insónias.
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Wort zieht Wort an

Acima Michael Kimmel, em 1994, cumprindo a promessa feita a Nélson Bertolazzi num treino da UDL.
Herr Kimmel afirmava que Mário Artur teria uma amplitude de visão próxima dos 360º, visto que os olhos do internacional moçambicano estariam mais afastados um do outro do que Pinto da Costa e LF Vieira.
Bertolazzi refutou essa teoria e decidiu testá-la, apostando com o panzer teutónico que caso o trinco perdesse, teria que usar um fato côr-de-vómito num programa do António Sala, desde que não fosse o "Jogo da Mala".
Por outro lado, se fosse o brasileiro a perder a aposta, a punição passaria por algo mais leve do que interagir com o António Sala. Começa com a letra "S", termina com a letra "A", tem o nome deste jogador dos Lakers de permeio, seguido da letra "I". Alguém estava de bom humor, portanto.
Ora bem, urgia testar essa mesma teoria. Como? Usando uma táctica que iria estar muito em voga 14 anos volvidos: atirando uma chuteira à cabeça do Mário. Direitinha à nuca. Se o brasileiro se desviasse, os dois compinchas saberiam que este conseguiria ver em todas as direcções (o que também explicaria a sua assombrosa e cacciólica capacidade de passe).
Resultado?
Ainda a cabeça do Mário Artur estava a 2cm do chão e Micha Kimmel já estava a caminho da Maconde para comprar um fatinho cor-de-vómito.
quarta-feira, outubro 15, 2008
Outra Dúvida Matemática
Isto da matemática é uma coisa muito gira. Mas mais giros são os sentimentos que nos desperta esse monstro sagrado que dá pelo nome de Vladan. Acredito que as sensações sejam tão fortes que até os vossos dedos tremem de tanta emoção.Por isso, povo da bola que está no peão a arremessar cascas de tremoços para o árbitro assistente, relaxem, não se acanhem e partilhem connosco as impressões, ficcionais ou não, que o gigantesco Vladan tenha provocado em vós. Venham aqui, abaixo do post que está abaixo deste, e desfraldem as vossas bandeiras.
De permeio, continuem a metralhar-nos com os defesas-direitos que povoam o vosso imaginário. Do sucinto Tó Sá ao sorridente Milton Mendes, venham daí esses cruzamentos El Hadriouianos para a bancada. Cá estaremos para apanhar o cautchu.
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terça-feira, outubro 14, 2008
Dúvida Matemática
quinta-feira, junho 12, 2008
Convocatória
Dada a nossa vontade de melhorar o serviço prestado à comunidade cromática, decidimos alargar o nosso leque de opções postágicas, adicionando assim um novo membro ao extenso plantel de dois elementos.
Como o tempo da ditadura já lá vai (o último déspota conhecido à Bola foi Czar Dimitri Prokopenko, no Ano V D.D. - Depois de Dacroce), decidimos democratizar esta iniciativa, alargando-a ao Povo da Bola.Para tal, tereis apenas que enviar via mail (destacado na barra lateral) uma crónica referente a um cromo à vossa escolha. Por favor evitem linguagem grosseira, referências a jogos de bastidores e panados.
Aguardamos a vossa comparência neste contínuo baile de debutantes que é a vida. Façam-se à estrada, companheiros.
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quinta-feira, janeiro 17, 2008
Cromos da Bola, SAD TV
Vamos tentar trazer-lhes os melhores momentos cromáticos da nossa bola, fresquinhos e com almíscarado odor a Zach Thornton, com a inestimável colaboração do nosso colega, amigo e palhaço máimagem.
Desta feita presenteamos o espectador com duas situações sui generis. A primeira é o penalty mais inacreditável de que nunca ninguém ouviu falar. Taça da Liga (palco de outro penalty que ficará para a História), 6 de Janeiro 2008, Estádio Clube Desportivo Trofense. A agremiação local recebe o Portimonense de Douglas Codó, Tarantini, Tchomogo e Maxi Bevacqua. Perspectivava-se uma parada cromática de proporções Zach Thorntescas (eh lá, a 2ª vez no mesmo post?), mas o espectáculo não foi fornecido pelos artistas da redondinha: João Ferreira, o árbitro, cansado de um jogo sensaborão e de ritmo budomirvujaciciano (para quem não se lembra do cepo em questão, fica a tradução: "muito lento"), decidiu animar a tarde.
"Que se lixe, quero ver um golito", deverá ter afirmado o hemisfério direito do seu cérebro numa conversa com o rival hemisfério esquerdo.
Aos 86 minutos, num canto inofensivo, a bola é interceptada a soco pelo keeper Mário "not Fátima" Felgueiras fora da pequena área, apesar de assolado por um careca da Trofa. Lance bem resolvido pelo guardião, e o 0-0 persiste. Eis que se ouve um apito. Os jogadores de ambas as equipas olham passivamente para o calabote de amarelo, provavelmente à espera de falta sobre o guarda-redes. Nisto, os trofenses exultam, como quem ganha a lotaria ou recebe um autógrafo do Quinzinho pela Páscoa. Os alvinegros, por outro lado, olham uns para os outros com o típico olhar de "boa, quem é que fez de Stepanov agora?".
A única resposta vem do pé-canhão de Pinheiro, que transforma a penalidade no tento da vitória da equipa de Valdomiro, Mílton do Ó e Reguila. Como é bonito o futebol com golos! As extensões de Fábio Paím não chegam para divertir o pessoal todo.
Quem não se divertiu foi o plantel da terra de Zezé Camarinha, segundo o mais recente candidato ao prestigiado Prémio Luís Campos, o inefável Vítor Pontes: "Os meus jogadores estão a chorar no balneário. Somos profissionais dignos, mas há pessoas que estão a mais no Futebol." Não se estaria a referir a Pontus Farnerud, suponho. Mas podia.
A segunda situação é bastante mais mainstream, com o remate do irmão do gajo do Inter a surpreender o leiriense Fernando Büttenbender Prass. Ainda bem que o jogo foi no Bessa, pois aquele momento de excepção merecia ser presenciado por mais de três pessoas e um cão da polícia a tirar uma soneca.
Espero que esta iniciativa seja do vosso agrado. Salpiquem o vosso gelado de Marcos Alemão com pepitas de Rodrigo Tiuí e sejam felizes.
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quarta-feira, dezembro 26, 2007
Paulo Estalagem POEJO
Estamos no Natal, pois então. Época de bacalhaus, polvos, leitões e perús.. mas nao vou falar de nenhum guarda redes :)Paulo Estalagem Poejo foi de facto uma promessa. Mas não passou disso...
Em 1992 fazia parte do plantel sénior do Sporténg e prometia muito. Estranho deste ano terem saído jogadores como Andrade, Porfírio, Paulo Morais.. todos jogadores de nome conhecido, mas que nao passaram de carreiras médias.
Poejo.. poejo vem de que origem semântica?
Engraçado é que Poejo passou os últimos anos da carreira a fechar clubes. Primeiro jogou no Campomaiorense. Mas este clube do Sr. Nabeiro fechou portas.
Para o fim a frase mais usado pelos treinadores acima citados..
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domingo, dezembro 02, 2007
Kwame, o Globetrotter
Velocidade, destreza e um penteado porreiro. Assim se pode resumir a carreira de Kwame Ayew de uma penada apenas.Ainda há questões interessantes como o facto de ter jogado em três continentes e doze clubes diferentes, mas a piada aqui está mesmo no seu potencial cromífluo. Ah, e no facto de alguns media lhe chamarem "Kwame Ayew", enquanto outros preferiam "Ayew Kwame", o que nos leva a pensar o que seria da 1ª Liga com um Brandão Marlon, Pinto Vieira João ou Hadrioui El. Pelo menos o Missé-Missé e o júnior portista André André (filho do ex-carregador de piano António André) passam totalmente incólumes ao lado desta polémica.
Kwame começou a carreira ao mais alto nível (?) no Africa Sports, colosso costa-marfinense de onde Rashidi Yekini partiu para o Sado. Cedo deu nas vistas pela sua inegável qualidade e potencial, e rumou para França, caíndo no FC Metz. Ou foi isso, ou uma cunha metida pelo irmão Abedi Pelé, um dos melhores jogadores Africanos de sempre, que curiosamente jogava em França na altura. Ele há coincidências...
Arrivado a Metz sob uma névoa sebastiânica de proporções kwamescas, Ayew confirmou as imensas expectativas de ineptude que rodeavam a sua chegada e foi expatriado com relativa velocidade para a Arábia Saudita. Lá se foi o sonho de partilhar um T4 com o irmão e um grupo de dançarinas eslovacas.
Ao fim e ao cabo, a sua estadia no Al Ahli foi importante para ganhar experiência futeboleira, sendo que o nosso amigo viveu aos 19 anos uma situação que os restantes jogadores só costumam viver aos 38. Precisamente: jogar no Al Ahli. Ora, o velocíssimo jovem Kwame actuando numa Liga onde a média de idades deverá rondar os 63 anos só significa uma coisa: croquetes! Ups. Peço desculpa. Estou com fome. Na verdade, a palavra que queria utilizar era "perigo". Com Ayew em campo, defrontar o Al Ahli significa para os adversários o mesmo que comer no restaurante do Barbas. Medo. Muito medo.
Vinte e dois jogos e catorze golos depois, o africano regressa a um grande País de futebol: a Itália de Emanuele Pesaresi. No Leça (perdão, Lecce) Ayew viveu um momento completamente Luiscampesco - em duas épocas acompanhou a sua equipa da Série A até à Série C. Não terá sido concerteza pelas suas exibições, nem pelo seu penteado a imitar o Yannick Noah, pois o ganês somou o excelente pecúlio de sete golitos em quase quarenta jogos.
Tal demonstração de força e virtuosidade só poderia levar Kwame Ayew a um local: Leiria, obviamente. Onde...desceu de divisão, pois claro. Começamos a detectar um padrão na carreira do homem. Mas ainda assim, o felino ganês chamou a atenção de um emblema onde pontificavam Deuses como Matias ou o guardião Sansone, o Vitória de Setúbal. Perante uma doce oportunidade de imitar o trajecto de Rashidi Yekini do Africa Sports para o Sado (se bem que com 32 clubes pelo meio), o célere avançado nem hesitou.
Em apenas uma época em Setúbal (96/97) fez tantos estragos quanto o Manuel Subtil numa casa de banho da RTP. E com muito mais estilo do que este. Pelo menos, em vez da barba sebosa e aspecto de primata, Kwame passeava orgulhosamente uma frondosa cabeleira pós-modernista, que lhe granjeou fama de Teddy Boy por essa Arábia Saudita fora.
Como é seu timbre, o homem não conseguiu ficar parado muito tempo, e passado uma época subiu mais um degrau na carreira. Desta feita para um certo clube, cujos maillots fazem lembrar toalhas de mesa de restaurantes italianos. Na fase pré-campeão, o Boavista construia uma equipa altamente ambiciosa, que precisava de um artilheiro à altura. Encontrou-o no nosso ganês preferido (depois de Nii Lamptey, claro). Já havia Alfredo na baliza, William Quevedo na defesa, Conthé no meio-campo e Wouden, Martelinho e Jacaré no ataque. Com Ayew, o Boavista alcançou um bonzinho 6º lugar, ao que se seguiu um histórico vice-campeonato na época seguinte, com o irmão de Abedi Pelé em grande plano. Um pecúlio de 15 golos a responder a cruzamentos de Martelinho que lhe valeram o passo maior da sua carreira.
Alvalade. Em plena hegemonia do FC Porto Pentacampeão de Jardel e Alejandro Diaz, arrivou em Lisboa com o intuito de ser o melhor marcador do campeonato e devolver a glória perdida ao clube de De Franceschi. OK, foi uma aposta extremamente optimista dos dirigentes leoninos, mas quem sou eu para questionar? Apenas mais um que nunca achou piada nenhuma ao Badaró. A verdade é que o verde voltou mesmo a ser cor de vitória, passados 18 anos de seca. O mérito? Completamente direccionado para o colo de Ayew Kwame.
O problema é que a glória também tem o seu peso. Não estando habituando a jogar com a pressão inerente à defesa de um título, o ganês decidiu que iria continuar a infernizar a vida de Mário Jardel. Este saira do Dragão para a Turquia, logo, Ayew decidiu que seria uma excelente career move. Porque não confiar na capacidade de julgamento de Jardigol, esse jovem tão ponderado?
Talvez porque o ponta-de-lança brasileiro tem discernimento idêntico ao Soares Franco após jantar (Queiróz dixit). De qualquer forma, o nosso ladino amigo ficou a saber disso inequivocamente. Após dois anos na Turquia molhando a sopa ao serviço de Yozgatspor e Kocaelispor, respectivamente, concretizou um sonho de infância: jogar na China. Primeiro no Changsha Ginde, depois no Inter de Xangai, onde foi o melhor marcador da prova. Toma lá, Jardel. In your face, bitch.
Porém, no final da sua aventura asiática, já calvo e com consciência que a sua carreira estaria mais putrefacta que a dentição de Almerindo Marques, o agora veterano globetrotter tomou a decisão certa.
Em 2006/07, tentou (mais) um "yekini" e regressou à casa que o viu nascer. OK, admito que Ayew não terá nascido em Setúbal, mas o gato dele sim. O pequenito Tinkler, sempre travesso nas suas brincadeirinhas com novelos de lâ. Porque se chamará assim, não sei. O regresso, por sinal, até foi engraçado. Marcou uns golitos e tal, incluíndo uma ignóbil traição ao seu ex-patrão de xadrez (num apimentado frango do porteiro de discotec...guarda-redes William) e uma facada nas costas da União de Leiria, outra ex-entidade patronal. Ingratidão pura.
Não há por aí alguém que lhe vá gritar qualquer coisa do estilo "não cuspas no prato onde comeste"? Suponho que não. Isso seria perfeitamente estúpido.
terça-feira, junho 12, 2007
O Rei no Naldo.
A ponta na lança.O Paulo no Alves.
O correr parado.
O entrar cansado.
O Gervino amarelado.
O Tahar avermelhado.
O Bilro concentrado.
O Kimmel com ar de alucinado.
O Pedro Miguel... sempre penteado.
O Bambo sempre ao lado.
O Fua tão estimado - esférico cruzado.
O cruzamento alcançado.
O balón rematado.
O chuto ao lado.
Meu nome é Reinaldo - e é este o meu fado.
domingo, maio 27, 2007
"Ó Bilro!!Bilroooooooo!!"

Um grito irrompe indomável pelo relvado adentro. Um grito sonante, imponente, como convém a um líder. Um vozeirão grosso, mas ríspido. Rouco, que indicia experientes cordas vocais, testadas pelo Tempo. Respeito. Um barítono com voz de bagaço. Um pescador gritando pela saudade perene de sua amada no alto-mar. Um paternal líder com pulso de ferro transmitindo ordens aos seus petizes. Uma força que não dobra. Pelo meio, denota-se o leve assobio - quase imperceptível - que só um farfalhudo bigode transmite a um sopro de voz.
É Vítor Manuel. O carismático líder da formação do Lis. Uma força viva, um bigode que - como hoje sabemos - não resistirá aos sinais do tempo.
O comandante da nau do Lis gritava constantemente aos ouvidos de um fiel lateral direito. Ouvidos esses, que eram albergados por duas orelhas XL. Bilro recebia as roucas indicações do timoneiro, e funcionando como uma extensão do seu longo e viril braço sobre o relvado, estendia-nas aos seus companheiros. O bravo capitão leiriense tinha orgulho no trabalho que lhe era destinado, e cumpria-o com garbo. Antes do corte à "Excesso", antes das escusadas melenas douradas como adorno capilar, Bilro já era Leiria. Leiria já era Bilro. Uma simbiose que se estende para muito além do limite do razoável.
Razoáveis eram também as suas performances no tapete verde. Bom demais para ser relegado para o banco, e fraquinho demais (e não-brasileiro demais) para dar o salto, Bilro passou ao lado de uma grande carreira. Com este chavão, recordamos, como sempre, J'aime Cerqueira. Há algo em mim (será um fungo?) que me obriga a mencionar este pujante nome sempre que ouço o supracitado chavão da bola...enfim.
Voltando ao símbolo vivo de Leiria: Formar uma asa direita com o Fua e não ser campeão, é como ler todos os livros de culinária do Manuel Luís Goucha e não aprender a cozinhar, nem ficar com uma vontade indomável de lhe arrancar o bigode à chapada. Esperem. Alguem já fez isso. Aposto no Kimmel.
sexta-feira, maio 05, 2006
Quem será - Resposta: DUAH

Aqui está, o Duah!
Campeão no Líbano em 2004/05, com 5 golos marcados.
Internacional pelo Gana, com boa performances entre 2001 e 2003.
Pelo nome, pode bem ser primo do Bento Do Ó..
sábado, abril 01, 2006
Por cada Pelé, há um Lamptey
Destinado a ser o maior jogador de todos os tempos, acabou sendo um dos maiores falhados de sempre.Esta é a trágica história do repentista Nii Lamptey.
Corriam os idos de 1991. O grunge dominava a rádio e a TV, ainda havia uma quota mínima de 30% de bigode frondoso por cada plantel de futebol, e Yulian e Spassov chegavam no seu Fiat 127 a Paços de Ferreira.
Porém, à parte de tudo isto, o Mundo assistia incrédulo (como se tratasse de um passe em profundidade de Oceano ou de um hattrick de Missé-Missé) ao Campeonato do Mundo para imberbes jovens sub-17. Entre uma pleíade de futuras estrelas, como o homem das suíças renascentistas Del Piero e o estratega careca e Napoleão do tapete verde, Verón, brilhava o Bola de Ouro: Nii Odartey Lamptey de seu nome.
Ao lado do outro futuro portento leiriense Emmanuel Duah, Nii fazia miséria nas defesas adversárias com a sua criatividade, velocidade e visão de jogo. Duah afirma também que Lamptey era para além disso tudo, bom a fazer a cama.
Após a explosão do bom do Nii com apenas 15 anos de idade, o Rei Pelé (ele próprio considerado um antecessor de Gil Baiano) sentiu-se na obrigação de declará-lo como o seu sucessor natural. Talvez, mas só no que respeita à facilidade com que ambos eram capazes de montar um Cubo de Rubik em apenas 120 segundos.
Porém, o Anderlecht não sabia disso, e raptou-o (estória verídica) para a Bélgica, onde o prodígio ganês assinou contrato. Os belgas devem ter ouvido falar do rapto do homem dos tremoços, Eusébio (ele próprio considerado um antecessor de Pepa), sabiamente executado pelos lisboetas vermelhos aos lisboetas verdes. Parece que deu resultado.
Com 16 anos, no Anderlecht, molhou a sopa por 7 vezes em 14 jogos, confirmando as palavras de Pelé (as que não diziam respeito ao Cubo de Rubik).
Passadas três épocas, já considerado por muitos o novo António Borges ganês, Nii rumou ao PSV, com a missão de substituir Romário. Missão fácil para um miudo imberbe e a cheirar a leite, cujo nome não é Ronaldo. Mas o nosso rapaz estava habituado a superar expectativas. Na primeira e última época em terras de Ronny Van Es e Gaston Taument, foi o melhor marcador da sua equipa.
Mas na época seguinte, aquando da chegada ao Aston Villa, a rapsódia chegou abruptamente ao final. Coventry City, Veneza, Unión Santa Fé (em terras de Kimmel, outro clássico leiriense, benetidense e bidoeirense) e Ankaragücü foram notas desafinadas numa pauta desalinhada e descuidada. Pobre Nii.
Porém, enquanto na sarjeta futebolística, uma alma caridosa e genial (provavelmente Duah, digo eu), qual passarinho, sussurrou ao ouvido de Lamptey que o local indicado para atingir o ponto de rebuçado seria Leiria, uma pacata localidade portuguesa.
Lamptey, sempre inteligente na hora de mal gerir a carreira, nem teve tempo para dizer que sim, e empacotou de pronto a mala com as suas posses (um cubo de Rubik, três ervilhas, um Game Boy em 2ª mão e um cachecol do Desportivo de Chaves) em direcção á cidade do Lis.
Arrivado à Lusitânia, Nii proferiu as seguintes palavras, aqui traduzidas em "Cromos da Bola":
-"Como toda a gente no Gana, sou benfiquista desde pequenino, portanto o meu sonho sempre foi jogar em Portugal. Porém, a minha vizinha da frente gostava muito do Chaves por causa do Baston, J'aime Cerqueira, Dacroce e Dani Diaz. O meu objectivo é fazer uma grande época para dar o salto para a 2ª Liga, para o nosso Chaves."*
Apesar da boa vontade, a mão cheia de exibições pálidas, ensossas e absolutamente repelentes, não foi suficiente para tal.
Lamptey, o eterno optimista, pensou que a situação ideal seria deixar Portugal para trás e rumar à 15ª Divisão Alemã, berço de muitos e variados talentos ganeses no Século IV. Ingressou portanto no Greuther Fürth. Daí partiu para China e posteriormente para o Al Nassr do Qatar, onde pôde reencontrar muitos talentos velhos, podres e/ou falhados do Futebol Mundial.Nii encontrou paz. Nii encontrou a sua casa.
Por cada Eusébio, há um Akwá.
* P.S.: A tradução das palavras de Nii Lamptey pode ser falaciosa, pois não dominamos por completo a bela e sonoríficamente sonora língua ganesa.
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sexta-feira, fevereiro 03, 2006
Jesus brilha no mundo da bola
Este é sem dúvida mais um momento que ficará retido no nosso coração... Apetecia-me chorar, mas sem demoras deixo-vos com uma frase do Mister Jorge Jesus ouvida há momentos em conferência de imprensa, comparando os actuais índices de motivação do Benfica com os do Porto na altura do jogo com o Leiria."...tal como quando o Porto tinha sido eliminado da CHAMPIONS LIGA..."
Sublime...
Obrigado futebol português! Obrigado Jorge!
sexta-feira, outubro 28, 2005
BAMBO E FUA - O ESPLENDOR DE ANGOLA
Angola no seu esplendor.. E o União de Leiria teve a honra de contar nas suas fileiras com Bambo e Fua, duas eternas gazuas.. Época 94-95.
Bambo, tal como Toni, jogou na ponta do ataque da Selecção de esperanças, sendo o goleador que todos desejávamos para o futuro da Selecção "A" das Quinas. Mais possante que Domingos, mais forte que Domingos no jogo aéreo e de presença na área, parecia destinado ao sucesso.
Bambo, nesse tempo, era conhecido pelos amigos como "Bambo, o Rambo". As semelhanças eram óbvias..
No entanto, apenas 1 golo em 17 jogos deitou por terra o sonho de Bambo, o Rambo.. que teve a sua melhor época em 98, com 18 jogos e 7 golos em Felgueiras.. A talhe de foice, devo dizer que talvez inspirada em Bambo, a actual ex-futura-condenada Fátinha Felgueiras é agora o Rambo lá do burgo..
A carreira de Bambo tropeçou na Madeira, Fig. Foz, e Ribeira Brava, mas o resultado foi fraco, fraquinho.. Golos só por obra do acaso.
Fua tem outra história.. Desde cedo mostrou os seus dotes, qual gazela, qual Futre na área.. Fua era o perigo número 1 para as defesas adversárias. Não querendo ser chato nem fastidioso.. deixo os clubes de Fua, em cerca de 12 anos: Leça, Maia, Torreense, Académica, Boavista, Leiria, Moreirense, Imortal, Machico, Oxford, Esp. Lagos, Pombal, Pedras Rubras e Mac. Cavaleiros. Se me acompanharam nesta viagem pelo Portugal futebolístico em pouco mais de 7 segundos, reparam na inconstância de Fua. 13 clubes, 12 anos! É obra. Nem Luís Campos o consegue...
Fua, tal como Bambo, tal como Toni, representou a selecção, mas desta vez a Angolana! Pensou-se que iria estar ainda a tempo do Mundial de 2006, mas parece que Fua disse: "Fua ná vái, Fua ná quer purblemas con Mantorras. Fua fica em casa!!"
Vejam só este belo excerto d' "A Bola", em 1995: "A perder por 1-0, Vítor Manuel fez a primeira substituição ao intervalo. Trocou Mário Artur por Fua, procurando dar maior agressividade ofensiva e velocidade ao seu ataque. Três minutos depois foi precisamente este jogador que desperdiçou uma excelente oportunidade. A qual se seguiu uma outra, essa ainda mais decisiva."
Fua, deixo-te uma palavra de ânimo.. Fua, a glória poderia ter sido tua!
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